A maior abertura de capital da história do mercado americano está marcada para o dia 12 de junho, quando a SpaceX passa a negociar suas ações na Nasdaq. Para entender o peso dessa oferta, é preciso conhecer os modelos de negócio da empresa de Elon Musk.
A companhia foi fundada com a missão de tornar o acesso ao espaço mais barato por meio de novas tecnologias, como a reutilização de foguetes. Com o tempo, expandiu seu portfólio para dois outros negócios, um serviço global de internet via satélite e, mais recentemente, uma divisão de inteligência artificial (IA). São três frentes que coexistem dentro de uma mesma estrutura corporativa, mas com perfis de receita e níveis de risco diferentes.
O Starlink é o segmento mais consolidado e o único que gera resultado positivo. O serviço oferece conexão à internet por meio de uma rede de mais de 9.600 satélites em órbita baixa, que atende 10,3 milhões de assinantes em cerca de 150 países. Em 2025, a divisão somou US$ 11,4 bilhões em receita e US$ 4,4 bilhões em resultado operacional, respondendo por mais de 60% do faturamento total da companhia, embora o valor médio pago por assinante tenha encolhido 18% entre 2023 e 2025.
O segmento de lançamentos espaciais registrou US$ 4,1 bilhões em receita em 2025, com um prejuízo operacional de US$ 657 milhões. O principal foguete da empresa é o Falcon 9, com propulsores que voltam à base após cada voo para serem reutilizados. Já o Starship, o maior e mais potente foguete em operação no mundo, completou seu 12º teste em maio de 2026 e ainda aguarda validação para uso comercial.
A divisão de IA foi incorporada após a fusão com a startup xAI em fevereiro de 2026. O segmento reúne dois supercomputadores em Memphis, o Colossus I e o Colossus II, com mais de 220 mil processadores de IA cada, o chatbot Grok, que ultrapassa 100 milhões de usuários mensais ativos, e a rede social X, plataforma que serve tanto como canal de distribuição do Grok quanto como fonte de dados para o treinamento dos modelos de IA da companhia.
Parte dessa infraestrutura já está sendo monetizada, com a Anthropic contratando o uso do Colossus I por US$ 1,25 bilhão por mês em um acordo que qualquer das partes pode encerrar com 90 dias de antecedência. Ainda assim, a unidade fechou 2025 com US$ 3,2 bilhões em receita e um prejuízo operacional de US$ 6,4 bilhões.
No consolidado anual, a SpaceX fechou 2025 com receita de US$ 18,7 bilhões e prejuízo líquido de US$ 4,94 bilhões. No primeiro trimestre de 2026, os gastos de capital somaram US$ 10,1 bilhões, mais que o dobro da receita do período, com a empresa encerrando março com US$ 15,9 bilhões em caixa e US$ 29,1 bilhões em dívida.
É com esse perfil financeiro que a SpaceX se prepara para captar US$ 75 bilhões na abertura de capital, precificada a US$ 135 por ação, o que avaliaria a companhia em cerca de US$ 1,75 trilhão. O maior IPO anterior foi o da Saudi Aramco, que levantou US$ 29 bilhões em 2019.
Dois pontos merecem atenção antes de qualquer leitura sobre a oferta. O primeiro é financeiro, com a empresa acumulando prejuízos, gastando mais do que fatura e sustentando sua avaliação em segmentos que ainda não geram lucro. O segundo é estrutural. Musk controla 85,1% dos votos com apenas 42% das ações, por meio de papéis com poder de voto dez vezes superior aos ofertados ao público. Essa concentração significa que as decisões mais relevantes sobre o futuro da companhia continuarão sendo tomadas por uma única pessoa, independentemente do que os demais acionistas pensem.
Este material tem caráter informativo e foi elaborado com base em dados da SpaceX. Nenhuma parte do conteúdo deve ser interpretada como recomendação de investimento.



