Visa: como opera uma das maiores redes de pagamentos do mundo

Imagem: Visa

A Visa é uma empresa americana de tecnologia de pagamentos que opera a VisaNet, rede própria de processamento eletrônico de transações presente em mais de 200 países. Diferentemente de um banco, ela não emite cartões nem concede crédito diretamente a quem compra, mas fornece a infraestrutura que instituições financeiras utilizam para oferecer esses produtos aos próprios clientes.

História

A história da companhia começou em 1958, quando o Bank of America lançou o programa BankAmericard em Fresno, na Califórnia, com uma remessa inicial de cerca de 65 mil cartões de crédito não solicitados a residentes locais. A iniciativa sofreu com altos índices de inadimplência e fraude nos primeiros anos, e só passou a dar lucro em 1961. Em 1966, o banco começou a licenciar o programa para instituições de outros estados, reagindo ao surgimento de um concorrente que mais tarde adotaria o nome Mastercard.

Em 1970, o controle do programa passou do Bank of America para um consórcio formado pelos próprios bancos licenciados, batizado de National BankAmericard. As operações internacionais, por sua vez, ficaram a cargo de uma entidade separada, criada para administrar licenciamentos fora dos Estados Unidos. Em 1976, essas duas estruturas se uniram sob o nome Visa, escolhido por seu criador por soar de forma reconhecível em diversos idiomas. A partir dali, a companhia passou a operar como associação sem fins lucrativos controlada pelos bancos membros.

Essa configuração durou até 2007, quando a Visa reuniu suas operações nos Estados Unidos (EUA), na Europa e no Canadá sob uma única empresa, em preparação para a abertura de capital. Em março de 2008, a Oferta Pública Inicial (IPO) movimentou US$ 17,9 bilhões, então a maior da história dos EUA. Anos depois, em 2016, a companhia concluiu a integração de sua unidade europeia, até então operada de forma independente, e completou a unificação da rede em escala global.

Modelo de negócio

O funcionamento da Visa segue o modelo de quatro partes, que reúne o titular do cartão, o banco emissor, o banco adquirente e o comerciante. O emissor define limites de crédito e assume o risco perante o consumidor, enquanto o adquirente credencia o comerciante. A Visa atua apenas como intermediária, processando autorizações, compensações e liquidações pela VisaNet.

A receita da companhia vem de tarifas sobre o volume de transações processado pela rede, de taxas por item de dados processado e de tarifas sobre transações internacionais. Diferentemente de um banco tradicional, ela não depende de juros sobre empréstimos para gerar lucro, pois sua margem operacional vem quase inteiramente do volume de pagamentos processado.

A Visa, desde o surgimento como programa regional de cartões até se tornar uma rede global de processamento, mostra como o setor de pagamentos mudou ao longo de sete décadas. Atualmente, parte dos investimentos da companhia se direciona a tecnologias emergentes, como o processamento de compras conduzidas por agentes de IA e a liquidação de transações com moedas digitais atreladas ao dólar.


Este material tem caráter informativo. Nenhuma parte do conteúdo deve ser interpretada como recomendação de investimento.

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