TSMC: a fábrica que produz os chips das maiores empresas de tecnologia

TSMC-IMAGE-REUTERS

A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) produz circuitos integrados desenhados por outras empresas e não vende nenhum chip com marca própria. Esse arranjo separa quem projeta de quem fabrica e recebe o nome de pure-play foundry. Como a companhia não lança produtos concorrentes, ela consegue atender ao mesmo tempo empresas que disputam o mesmo mercado, e é assim que Nvidia, Apple, Broadcom e Qualcomm acabam produzindo os seus processadores na mesma fábrica.

História

Morris Chang, executivo com 25 anos de carreira na Texas Instruments, fundou a TSMC em 21 de fevereiro de 1987, na cidade de Hsinchu. Ele havia sido convidado dois anos antes pelo governo taiwanês para dirigir o Industrial Technology Research Institute (ITRI), e foi de lá que saiu o projeto da nova companhia. O investimento exigido era alto e o risco, o que afastou a maior parte dos interessados.

A Philips foi a única empresa estrangeira a aceitar a proposta da companhia. Ela aportou US$ 58 milhões, transferiu tecnologia de produção e licenciou propriedade intelectual em troca de 27,6% do capital. O governo taiwanês entrou com outros 48,3% por meio do National Development Fund, o que deixou a companhia com forte participação estatal desde a origem.

Com o capital inicial resolvido entre a Philips e o governo taiwanês, a empresa buscou uma nova fonte de recursos para financiar a expansão da produção e abriu capital em 1993, na bolsa de Taiwan. Em 1997, tornou-se a primeira taiwanesa listada na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). O crescimento seguinte veio da corrida por transistores menores, capazes de aumentar a quantidade de componentes no mesmo espaço. A produção em volume de 7 nanômetros começou em 2018, seguida pela de 5 nanômetros em 2020 e pela de 3 nanômetros em 2022, até a chegada dos 2 nanômetros em 2025.

Modelo de negócio

A companhia vende a capacidade das suas fábricas sob contrato, e o compromisso de não lançar chips próprios funciona como argumento comercial, porque nenhum cliente entrega o seu projeto a quem pode competir com ele depois. Essa posição se reflete na divisão do setor, com a participação da empresa na receita da fundição sob contrato subindo de 69% no quarto trimestre de 2024 para 73% no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento da Counterpoint. No mesmo intervalo, a Samsung Foundry caiu de 8% para 7% e a SMIC, de 6% para 5%.

Fonte: Counterpoint

A liderança de mercado vem acompanhada de concentração tanto entre os clientes quanto entre os fornecedores, com os dez maiores compradores gerando mais de 60% da receita líquida em 2024. Do lado dos fornecedores, a dependência é ainda maior, porque a ASML responde por cerca de 41% do gasto com máquinas e é a única fabricante mundial dos sistemas de litografia ultravioleta extrema, equipamentos que gravam os circuitos nos chips mais modernos.

Presença nos Estados Unidos

O mercado americano responde pela maior fatia das vendas, com 68,8% do total por região em 2024, e foi esse peso que levou a companhia a produzir mais dentro do país. O primeiro anúncio, em 2020, previa um investimento de US$ 12 bilhões para uma fábrica em Phoenix, no Arizona. Em novembro de 2024, o Departamento de Comércio aprovou um subsídio direto de US$ 6,6 bilhões pelo CHIPS Act e mais US$ 5 bilhões em empréstimos, para amparar um plano de três unidades. A instalação de fábricas de última geração em solo americano representa parte da estratégia da companhia para atender à demanda crescente do país por semicondutores avançados.

Mesmo assim, o compromisso aumentou em julho de 2026, quando a empresa anunciou mais US$ 100 bilhões e elevou o total de investimento no país para US$ 265 bilhões. O plano prevê 12 unidades de fabricação, montagem final e pesquisa em um campus de 2.000 acres em Phoenix. A primeira fábrica opera com aproveitamento de produção parecido com o das plantas taiwanesas e a segunda prepara a instalação de equipamentos. Entre os clientes dessas unidades está a Apple, que se comprometeu a comprar mais de 100 milhões de chips produzidos no Arizona até o fim de 2026.

Fonte: CityBiz.

Esse conjunto de fábricas também atraiu fornecedores de produtos químicos, materiais e equipamentos para a região de Phoenix, que passaram a operar perto do principal cliente. Por isso, a Arizona State University e a University of Arizona ampliaram os cursos de engenharia voltados a semicondutores, para formar os trabalhadores que essa cadeia de fornecedores e a própria fábrica vão precisar. Apesar desse movimento, a direção da empresa afirma que o ritmo da expansão ainda depende de quantos trabalhadores de construção estão disponíveis e da infraestrutura da região.

Mesmo com esse avanço no Arizona, somado aos investimentos no Japão e na Alemanha, as operações fora de Taiwan somavam menos de 10% da capacidade total em 2025. A ilha ainda concentrava mais de 90% da produção dos chips mais avançados, o que mantém o abastecimento mundial preso a uma única região. O crescimento da produção em território americano reduz essa concentração aos poucos, mas sem resolvê-la no curto prazo.


Este material tem caráter informativo. Nenhuma parte do conteúdo deve ser interpretada como recomendação de investimento.

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