Recompras de ações crescem no S&P 500

Imagem: Brendan McDermid/REUTERS.

As recompras de ações realizadas por empresas norte-americanas alcançaram um nível histórico em 2025 e passaram a ocupar papel central na estratégia corporativa de retorno ao acionista. Em um cenário marcado por incertezas macroeconômicas, mudanças regulatórias e maior seletividade nos investimentos, as empresas de grande porte intensificaram a devolução de capital por meio da recompra de suas próprias ações, um movimento que atingiu volumes inéditos ao longo do ano.

No terceiro trimestre de 2025, as empresas que compõem o S&P 500 recompraram aproximadamente US$ 249 bilhões em ações. O resultado representou uma recuperação moderada em relação ao segundo trimestre, quando os gastos haviam recuado de forma significativa em meio a incertezas ligadas à política econômica e ao comércio internacional. Em comparação com o mesmo período de 2024, houve avanço relevante, reforçando a tendência de retomada gradual após a desaceleração observada no meio do ano.

Ao se observar o período acumulado de 12 meses encerrado em setembro de 2025, o volume total de recompras atingiu o recorde de US$ 1 trilhão, superando com folga o montante registrado no mesmo intervalo do ano anterior. Esse patamar histórico foi alcançado apenas pela segunda vez, o que evidencia a magnitude do movimento atual e a relevância das recompras como instrumento de alocação de capital.

Dentro desse contexto, a Apple manteve posição de destaque com seu programa de recompra de ações. A empresa liderou novamente as recompras em nível individual, destinando cerca de US$ 20,37 bilhões à recompra de ações no terceiro trimestre de 2025. Embora o valor tenha sido inferior ao observado no trimestre anterior, o histórico permanece expressivo. Nos últimos cinco anos, a empresa acumulou aproximadamente US$ 468 bilhões em recompras, enquanto, no período de dez anos, o total chegou a US$ 755 bilhões, o maior já registrado por uma única empresa globalmente.

Fonte: S&P Dow Jones Indices.

No acumulado de 12 meses até setembro de 2025, a Apple recomprou cerca de US$ 96,7 bilhões em ações próprias, mesmo com leve redução em relação ao período anterior. Ainda assim, a companhia americana seguiu como a maior contribuinte individual para o volume agregado do índice. Outras empresas de grande capitalização, como NVIDIA, Alphabet (Google), Meta Platforms e JPMorgan, também apresentaram volumes expressivos, reforçando o papel das líderes de mercado nesse ciclo. 

Apesar do valor recorde em dólares, a participação das empresas nas recompras foi mais seletiva. No terceiro trimestre, pouco mais de 330 companhias reportaram recompras superiores a US$ 5 milhões, número levemente inferior ao do trimestre anterior. Embora quase 400 empresas tenham realizado algum nível de recompra, a maior parte do volume permaneceu concentrada nas maiores organizações do mercado americano.

As 20 principais empresas do S&P 500 responderam por aproximadamente metade de todas as recompras realizadas no trimestre. Esse grau de concentração ficou acima da média histórica de longo prazo e também do padrão observado antes da pandemia, indicando que a capacidade de recomprar ações em larga escala segue fortemente associada à geração robusta de caixa e à solidez financeira dessas companhias.

Do ponto de vista financeiro, as recompras tiveram impacto direto sobre a estrutura de capital das empresas, com cerca de 17% das companhias do índice reduzindo o número de ações em circulação em pelo menos 4% na comparação anual, o que contribuiu para a elevação no lucro por ação (EPS). Esse movimento ocorreu em paralelo ao crescimento dos dividendos, que também atingiram níveis recordes no acumulado de 12 meses, reforçando a prioridade das empresas em devolver capital aos acionistas. Além disso, as recompras de ações superaram os dividendos do S&P 500 nos últimos anos, o que evidencia a prioridade das principais empresas do mercado no momento.

Fonte: S&P Dow Jones Indices.

Mas a análise setorial revela diferenças importantes durante esses movimentos. O setor de Tecnologia manteve a liderança em valores absolutos, concentrando mais de um quarto de todas as recompras do trimestre. Já o setor financeiro, liderado pelas maiores instituições americanas como JP Morgan e Bank of America, apresentou um crescimento expressivo nos gastos, enquanto o setor de saúde registrou a maior alta percentual. Em contrapartida, segmentos como Materiais e Imobiliário reduziram significativamente suas recompras, refletindo dinâmicas específicas de cada setor e maior cautela em relação ao ciclo econômico.

Desde 2023, as recompras líquidas estão sujeitas a um imposto especial de consumo de 1%, que reduziu marginalmente os lucros operacionais e contábeis das empresas do S&P 500. Até o momento, esse impacto tem sido considerado administrável e não provocou retração relevante na atividade. Ainda assim, discussões sobre possíveis mudanças tributárias seguem no radar do ambiente corporativo e podem influenciar a forma como as empresas distribuem capital no futuro, inclusive com eventual redirecionamento parcial para dividendos.

De forma geral, o avanço das recompras em 2025 reflete um ambiente no qual grandes empresas, amparadas por forte geração de caixa, optaram por devolver recursos aos acionistas enquanto mantêm prudência em relação a investimentos de longo prazo. Embora os volumes recordes indiquem solidez financeira e confiança na própria estrutura de capital, a elevada concentração e o histórico cíclico das recompras reforçam a necessidade de uma análise cuidadosa. Esse tipo de estratégia pode apoiar indicadores financeiros no curto prazo, mas não substitui fatores fundamentais, como crescimento sustentável, inovação e desempenho operacional consistente.


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