A Moody’s é uma das principais agências de classificação de risco de crédito do mundo, ao lado da S&P Global Ratings e da Fitch Ratings. Juntas, essas três companhias formam o grupo conhecido como “Big Three”, responsável por avaliar a capacidade de governos, bancos e empresas de honrar suas dívidas. A nota atribuída pela Moody’s a um país ou a uma empresa influencia diretamente o custo que esse emissor paga para captar recursos no mercado financeiro internacional.
História
A companhia foi fundada em 1900 por John Moody, que publicou o primeiro manual com dados financeiros sobre ações e títulos de empresas norte-americanas. Em 1909, Moody introduziu um sistema pioneiro de letras para avaliar títulos de ferrovias, o que deu origem ao formato de notas ainda usado hoje. A empresa passou por dificuldades financeiras no início do século, mas retomou as operações e ampliou sua atuação para serviços públicos e para títulos de estados e municípios americanos ao longo da década de 1910.
A Dun & Bradstreet, companhia do setor de relatórios de crédito, comprou a Moody’s em 1962. A gestão da subsidiária manteve certa autonomia operacional nas décadas seguintes, até a controladora decidir, em 2000, desmembrar a Moody’s como empresa independente, com ações listadas na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). Essa reestruturação permitiu que a companhia ampliasse seus investimentos em tecnologia e expandisse sua presença internacional.
Nos anos seguintes, a Moody’s diversificou suas atividades além das notas de crédito tradicionais. A reorganização veio em 2007, quando a companhia passou a operar em duas frentes: de um lado, a área de classificações de risco, hoje chamada Moody’s Ratings; de outro, a unidade de pesquisa econômica, software e consultoria financeira, batizada Moody’s Analytics. Diversas aquisições ao longo da década de 2000 e 2010, incluindo empresas de análise de risco e dados corporativos, consolidaram essa segunda frente de negócios.
Modelo de negócio
O funcionamento da Moody’s segue a mesma lógica adotada pelas outras integrantes do “Big Three” do setor de classificação de risco de crédito. A companhia atribui notas em uma escala que vai da qualidade máxima até o calote, usando uma combinação de letras e números, como Aaa para a nota mais alta e C para a mais baixa. Essa classificação determina se um título está dentro do chamado grau de investimento ou do grau especulativo, distinção que orienta decisões de fundos de pensão e de investidores institucionais ao redor do mundo.
Desde a década de 1970, o modelo de receita da Moody’s segue o formato conhecido como “issuer-pays”, no qual o próprio emissor da dívida paga pela avaliação, em vez do investidor. A companhia também mantém, através da divisão de Analytics, uma base de dados com informações de diversas empresas, usada para produtos de pesquisa, gestão de risco e conformidade regulatória vendidos a bancos, seguradoras e outras instituições financeiras.
Resultados financeiros
A Moody’s registrou uma receita de US$ 7,72 bilhões em 2025, com um lucro líquido de US$ 2,46 bilhões no mesmo período. A empresa emprega cerca de 16 mil pessoas distribuídas por mais de 40 países, e a Berkshire Hathaway é a sua maior acionista, com uma participação de aproximadamente 14% do capital.
No mercado global de classificação de risco, a Moody’s e a S&P Global dividem, cada uma, cerca de 40% da fatia de mercado, enquanto a Fitch responde por aproximadamente 15%. Essa concentração faz do trio um ponto de passagem quase obrigatório para qualquer governo ou empresa que precise captar recursos nos mercados internacionais de dívida.
Mais de um século após sua fundação, a Moody’s segue como uma referência para investidores que avaliam o risco de títulos públicos e privados em todo o mundo, moldando o custo de crédito de países e empresas ao longo de diferentes ciclos econômicos.
Este material tem caráter informativo. Nenhuma parte do conteúdo deve ser interpretada como recomendação de investimento.



