A Cerebras Systems estreou na Nasdaq em 14 de maio de 2026 e registrou o maior IPO do ano nos Estados Unidos (EUA) até o momento, com uma oferta que captou US$ 5,55 bilhões. Fundada em 2015 em Sunnyvale, Califórnia, a empresa desenvolve chips especializados para IA e acumula uma década de contratos e parcerias construídos no Vale do Silício.
A origem da empresa
A Cerebras foi fundada por Andrew Feldman e Sean Lie em 2015 com o objetivo de desenvolver hardware projetado do zero para as demandas da IA. Desde o início, o foco esteve na inferência, que é a etapa em que os modelos já treinados entram em operação para gerar respostas em tempo real. A empresa recebeu o seu primeiro aporte da Benchmark na rodada Série A em 2016, investidora que multiplicou o seu capital por 12 vezes até o preço do IPO.
Tecnologia, produto e clientes
O principal produto da Cerebras é o Wafer Scale Engine 3, um processador construído a partir de uma lâmina inteira de silício, com 4 trilhões de transistores, 900 mil núcleos e 44 gigabytes de memória integrada. Com o tamanho aproximado de uma folha A4, o chip processa os dados sem transferências entre componentes distintos, o que elimina uma das principais fontes de latência presente nas arquiteturas convencionais. A Cerebras afirma que esse design entrega velocidade até 15 vezes superior à das GPUs convencionais da Nvidia em aplicações de inferência.
Entre os clientes da empresa estão a OpenAI, que assinou um contrato de até US$ 20 bilhões para o fornecimento de 750 megawatts de capacidade computacional até 2028, e a Amazon, que integrou os chips da Cerebras aos seus processadores Trainium na AWS. Antes do IPO, a ARM e o SoftBank chegaram a sondar uma aquisição da Cerebras, proposta que foi recusada.
Os números da companhia
A receita de 2025 foi de US$ 510 milhões, um crescimento de 76% sobre os US$ 290 milhões registrados em 2024. A empresa reverteu um prejuízo de US$ 482 milhões em 2024 para um lucro líquido de US$ 237,8 milhões em 2025, embora esse resultado inclua um ganho contábil não recorrente, com a operação ainda registrando prejuízo operacional. A carteira de contratos futuros comprometidos soma US$ 24,6 bilhões, o que representa cerca de 48 vezes a receita de 2025.
O IPO da Cerebras
A faixa inicial de preço estava entre US$ 115 e US$ 125 por ação, mas a demanda 20 vezes superior ao volume disponível forçou três revisões consecutivas, elevando o preço final para US$ 185. Vale lembrar que em 2024 a concentração de 86% da receita em dois clientes ligados aos Emirados Árabes Unidos, a G42 e a Universidade Mohamed bin Zayed de IA, motivou uma revisão do CFIUS, o Comitê de Investimentos Estrangeiros nos EUA, que adiou o IPO por quase dois anos.
O caso foi encerrado em março de 2025, abrindo caminho para a oferta pública. Com o processo retomado, as ações abriram a US$ 350 e fecharam o primeiro pregão a US$ 311, com valor de mercado entre US$ 67 bilhões e US$ 95 bilhões. Assim, com US$ 5,55 bilhões captados na operação, a Cerebras Systems fechou o seu primeiro dia na Nasdaq como o maior IPO de 2026 nos EUA até o momento.
Este conteúdo é apenas informativo, elaborado com base em dados públicos da Cerebras, e não representa nenhuma recomendação de investimento.


