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Carteira internacional: Por que ter uma e vantagens da dolarização

Uma carteira internacional de investimentos é uma estratégia financeira que envolve a alocação de ativos em diferentes mercados globais, incluindo ações, títulos e moedas estrangeiras. Essa abordagem busca diversificar riscos e potencializar retornos, permitindo que investidores aproveitem oportunidades em âmbito internacional para maximizar seu patrimônio.
carteira internacional

Ter uma carteira internacional de investimento é uma decisão financeira que vem ganhando cada vez mais destaque entre investidores conscientes. Neste artigo, vamos explorar o que significa ter uma carteira internacional e por que isso pode ser uma estratégia valiosa para diversificar seus investimentos e proteger seu patrimônio.

Além disso, discutiremos as vantagens da dolarização da carteira, oferecendo insights sobre como essa prática pode ajudar a garantir a estabilidade de seus ativos em um cenário econômico global em constante evolução.

Portanto, se você está interessado em expandir seus horizontes financeiros e maximizar seus potenciais ganhos, continue lendo para descobrir as razões convincentes para considerar uma carteira internacional e as vantagens associadas à dolarização.

O que é uma carteira internacional?

Uma carteira de investimentos internacional é composta por ativos de investimento disponíveis em outros países, cuja rentabilidade está ligada a fatores externos ao Brasil, tornando-se menos suscetível às flutuações do mercado interno.

Ou seja, isso significa que o investimento atrelado a uma moeda estrangeira pode ajudar a diversificar a carteira e reduzir riscos em relação a uma carteira apenas com ativos brasileiros.

De fato: a variação nos mercados internacionais pode não ter correlação com o desempenho dos ativos nacionais, o que ajuda a diminuir riscos, especialmente considerando um câmbio favorável para a moeda estrangeira.

Dessa forma, uma carteira internacional pode incluir investimentos em ações, títulos de dívida governamentais, empresas e imóveis estrangeiros, entre outros.

No entanto, é importante lembrar que é preciso avaliar cuidadosamente cada ativo para verificar se ele é realmente descorrelacionado com os investimentos nacionais.

Por fim, é possível criar uma carteira internacional através de uma corretora internacional, como Avenue, TD Ameritrade, Banco Inter, Banco C6, Nomad, Sproutfi e outras. O cadastro é, de fato, bem simples: ele é online e demora poucos minutos.

A seleção de ativos varia para cada investidor, mas é possível escolher ações no exterior, REITs, ETFs, bonds, moedas estrangeiras, commodities e muito mais.

Exemplos de carteiras internacionais

Veja abaixo alguns exemplos de carteiras internacionais de grandes investidores:

Warren Buffett: primeiramente, considerado por muitos o maior investidor de todos os tempos, Buffett gosta de investir em empresas com fundamentos, como Apple e Coca-Cola, além de empresas de finanças e infraestrutura. Além disso, ele também possui mais de $100 bilhões em caixa.

John Bogle: o criador das estratégias passivas de investimento sugere um portfólio composto por 3 ETFs: um que acompanhe o S&P 500 (índice de ações americanas), um ETF de bonds e um ETF de mercados emergentes.

Ray Dalio: de fato, o lendário gestor possui um portfólio diversificado, contendo ETFs de bonds, ETFs de ações americanas, ouro e outras commodities e até mesmo um ETF de ações no Brasil. 

Michael Burry: Burry prefere shortear ativos e investir diretamente em algumas empresas. No entanto, seu portfólio atual consiste na Qurate (grupo de mídia), GenCorp (tecnologia espacial) e outras.

George Soros: o famoso investidor possui estratégias de investimentos voltadas para shortear moedas estrangeiras, como já ocorreu com o iene e a libra.

Charlie Munger: Munger, braço direito de Warren Buffett, de fato, possui um portfólio concentrado. Ele possui apenas 3 ativos, sendo eles as ações da Berkshire-Hathaway, Costco (empresa varejista) e um fundo de ações chinês.

Peter Lynch: por fim, o lendário gestor de fundos opta por um portfólio extremamente diversificado, que já chegou a contar com centenas de ações.

Esses são só alguns exemplos, e cada investidor deve buscar selecionar os ativos mais vantajosos para sua estratégia de investimentos.

Vantagens de ter uma carteira internacional

Existem diversas vantagens de se ter uma carteira internacional. Veja abaixo as principais

1.  Diversificação de investimentos

A diversificação da carteira de investimentos é uma estratégia fundamental para minimizar riscos e obter melhores resultados no mercado financeiro.

De fato, uma das formas de diversificação é através do investimento no exterior, que pode proporcionar descorrelação com o mercado interno e ampliar as possibilidades de investimento.

Assim, ao diversificar a carteira entre setores, classes, modalidades e tipos de investimentos diferentes, o investidor consegue expor seu capital a mais de um fator de risco, reduzindo a dependência de apenas uma variável.

De fato, as empresas americanas têm um foco maior em tecnologia, como Apple, Microsoft, Tesla e outras. Enquanto isso, as maiores empresas brasileiras são de setores tradicionais, como Petrobrás, Vale, Itaú e outras. Isso permite uma diversificação setorial entre ativos.

O dólar é um exemplo de ativo que pode ter correlação negativa com a bolsa brasileira, o que pode ajudar a equilibrar a carteira.

Ou seja: por mais que o Brasil (e o mundo todo) sofra o impacto da economia americana, há certa descorrelação entre os ativos que pode beneficiar o investidor.

Além disso, ao investir em mercados internacionais, é possível acessar uma maior diversificação de investimentos, pois há mais ativos disponíveis.

Por fim, isso contribui para a construção de uma carteira mais robusta e descorrelacionada, o que tende a ser benéfico ao investidor. 

Veja uma comparação dos principais setores econômicos do EUA e do Brasil:

Principais setores das economias americana e brasileira
S&P 500 (EUA)Ibovespa (Brasil)
Tecnologia (26%)Finanças (37%)
Finanças (15%)Petróleo (13%)
Saúde (14%)Mineração (10%)
Consumo discricionário (13%)Alimentos e bebidas (9%)

2. Proteção contra a desvalorização da moeda local

De fato, investir em outras moedas, como o dólar, permite proteger a carteira contra as variações cambiais e minimizar prejuízos decorrentes da desvalorização da moeda local.

Isso ocorre porque a atuação do dólar como reserva de valor faz com que a tendência seja a valorização da moeda americana frente à brasileira.

Por exemplo: em situações de recessão econômica internacional, o mundo tende a comprar títulos de dívida americana, já que os EUA são um “porto seguro” para os investidores. Isso torna o dólar uma moeda muito mais forte do que o real.

Além disso, a dolarização da carteira é uma estratégia comum entre aqueles que têm obrigações em moeda estrangeira e é uma forma de se beneficiar com a valorização da moeda mais forte.

Ou seja: brasileiros que investem nos EUA podem receber em moeda forte e gastar em uma moeda mais fraca.

De fato, a moeda brasileira historicamente tem menos força que outras moedas estrangeiras, como o dólar, o que torna essa característica interessante para investidores.

Além disso, a exposição cambial pode ser utilizada para proteger a carteira de ações, já que o dólar tem correlação negativa com a bolsa de valores brasileira.

Por exemplo: é possível que, quando o real desvaloriza, o valor do dólar suba. Isso traz uma estabilidade à carteira, que torna-se portanto menos volátil.

Por esses motivos, a proteção contra a desvalorização do real é uma das vantagens da dolarização.

Veja uma comparação entre os ETFs SPY (baseado no S&P 500) e o EWZ (ETF de ações brasileiras cotado em dólar para comparar os rendimentos em dólar de ambos. Vê-se que o SPY ganhou em rentabilidade enquanto manteve uma menor volatilidade.

Comparação entre os ETFs SPY e EWZ
Dados Financeiros (10 anos)SPYEWZ
Rentabilidade+215%-23%
Drawdown-16%-53%
Volatilidade1629%

3. Acesso a investimentos internacionais

Ter uma carteira de investimentos internacionais traz a vantagem de se expor a investimentos internacionais.

Ou seja: além da proteção contra flutuações cambiais, esse tipo de investimento permite acessar setores e mercados que não são tão desenvolvidos no Brasil ainda.

Por exemplo, o mercado de tecnologia é um dos maiores do mundo e oferece possibilidades com empresas internacionais de grande desempenho.

Dessa forma, investir no exterior também significa ter a chance de participar dos resultados de grandes empresas, ainda que indiretamente.

Por exemplo: as bolsas americanas concentram gigantes da tecnologia, como Amazon, Alphabet (Google), Apple e Microsoft.

Além disso, ao investir nos EUA, o capital fica exposto a uma economia mais forte que a brasileira, uma vez que os Estados Unidos possuem a maior economia mundial, trazendo uma segurança financeira ao investidor.

Outra vantagem, ainda, é a possibilidade de investir em diversos setores que não possuem variedade de opções no Brasil.

Por exemplo: existem ETFs temáticos voltados para diversas áreas, como biotecnologia, energia limpa e outros, além de ser possível comprar as ações dessas empresas diretamente.

E, por fim, por meio de uma corretora americana, é possível comprar ativos até mesmo de outros países por meio dos ADRs (certificado de posses de ações estrangeiras) e de ETFs voltados para determinados países e/ou regiões.

Portanto, investir no exterior pode ampliar o potencial de crescimento de uma carteira de investimentos, ao permitir acessar empresas de maior capitalização e a setores e mercados que não são tão desenvolvidos no Brasil.

Veja abaixo a variedade de investimentos nos EUA frente ao Brasil:

Quantidade aproximada de ativos disponíveis para cada classe
AtivoNúmero de ativos (Brasil)Número de ativos (EUA)
ETFs~60~2.000
Ações~400~5.000

Como criar uma carteira internacional?

Existem diversas estratégias de investimento para criar uma carteira internacional.

Uma delas é a  compra de ativos no próprio Brasil, como ETFs ou BDRs. Entretanto, nesses casos, o investidor não terá seu capital totalmente fora do Brasil.

Por isso, outra opção é através do investimento direto, que consiste em abrir uma conta em uma instituição financeira internacional e transferir os recursos para investimentos no mercado estrangeiro.

Esse tipo de investimento permite acesso a ativos como ações, REITs, ETFs e outros. De fato: hoje em dia, diversas corretoras facilitaram o processo, com câmbio automático e simplicidade nas operações do home broker.

Sendo assim, o investimento diretamente nos EUA e em outros países por meio de corretoras internacionais tornou-se muito mais fácil.

É possível, por exemplo, investir diretamente nas empresas americanas, como Tesla, Alphabet, Meta, Microsoft, Apple e outras.

Além disso, existem grandes empresas da Europa, Ásia e outras regiões que estão disponíveis nessas corretoras por meio dos ADRs (que funcionam como certificados dessas ações).

Por fim, uma terceira opção são os ETFs (Exchange Traded Funds), que funcionam como fundos de investimento de gestão passiva, estando atrelados a um índice.

Além disso, os ETFs replicam os resultados de um índice financeiro e podem ser ligados a diversos mercados internacionais, tornando-se uma forma simples de dolarizar a carteira e equilibrar os riscos da carteira.

É importante, de fato, fazer uma análise de risco para verificar o percentual da carteira que deve estar alocado em ativos no exterior.

Entretanto, vale notar que a seleção dos tipos de ativo dependerá do perfil do investidor e de sua estratégia de investimentos.

Por fim, você ainda tem alguma dúvida a respeito do uso de uma carteira internacional? Mande sua questão para que possamos te auxiliar.

Principais Pergunta sobre carteira internacional

Porque dolarizar a carteira?

Dolarizar a carteira é importante para reduzir riscos cambiais e ter exposição a outras moedas, além de diversificar os investimentos.

Como dolarizar uma carteira?

É possível dolarizar uma carteira por meio da compra de dólares ou de ativos dolarizados, como ações, REITs, ADRs, ETFs e outros que permitem acesso a investimentos internacionais.

Por que é vantajoso investir internacionalmente?

Investir internacionalmente oferece a oportunidade de se expor a economias mais fortes, empresas globais e setores que não são muito desenvolvidos no Brasil ainda.

O que significa dolarizar o patrimônio?

Dolarizar o patrimônio significa ter investimentos em dólares ou outras moedas estrangeiras, reduzindo a exposição ao risco cambial e aumentando a diversificação da carteira.

Sumário

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Leo Fittipaldi
Leo Fittipaldi
Fundador da Dolarame e analista de investimentos certificado (CNPI 3214). Já foi analista de risco na maior Asset do Brasil, atuando em fundos de investimentos com alguns bilhões de reais sob gestão. Atualmente é um dos maiores especialistas em investimentos internacionais do país.

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