Os Estados Unidos (EUA) consolidaram sua posição como o principal centro mundial de infraestrutura digital, reunindo mais data centers do que todos os outros grandes mercados somados. Essa liderança é resultado de um ambiente favorável que combina tecnologia avançada, estabilidade regulatória e um grande mercado de consumo interno em serviços digitais. O país abriga mais de cinco mil instalações voltadas ao armazenamento e processamento de dados, enquanto a Alemanha, que ocupa o segundo lugar no ranking global, possui pouco mais de quinhentas. Essa diferença mostra o quanto a vantagem estadunidense é ampla.
A distribuição dos data centers americanos segue critérios estratégicos, com regiões como o norte da Virgínia, onde está o conhecido Data Center Alley, concentram a maior parte da infraestrutura digital. Essa área é responsável por grande parte do tráfego mundial de internet e simboliza a força tecnológica dos EUA. Outras locais também se destacam, como Dallas, no Texas, o Vale do Silício, na Califórnia, Phoenix, no Arizona, Chicago, em Illinois, e Atlanta, na Geórgia. Esses polos foram escolhidos por apresentarem baixo custo de energia, incentivos fiscais, clima favorável e fácil acesso a redes de alta capacidade para grandes empresas e startups de tecnologia. Além disso, estão próximos de cabos de fibra ótica e subestações elétricas, o que garante eficiência e conectividade para atender essas estruturas.
O avanço da inteligência artificial (IA) generativa foi o principal responsável pela nova fase de crescimento do setor, com uma forte demanda por processamento e armazenamento de informações diárias, o que impulsionou a rápida construção de data centers cada vez maiores e mais eficientes. Como exemplo, algumas empresas como Amazon, Google, Microsoft, Meta e NVIDIA lideram essa transformação e estão investindo centenas de bilhões de dólares na expansão de suas estruturas de dados. O resultado é um salto no consumo de energia elétrica, que já ultrapassa os cem TW/h (terawatts/hora) por ano e deve continuar crescendo rapidamente. Segundo estimativas, até o fim da década, os data centers poderão representar mais de quatorze por cento de toda a demanda de eletricidade dos EUA, o principal polo tecnológico do mundo.
Esse aumento de consumo de energia trouxe um novo foco para as discussões sobre energia e sustentabilidade no longo prazo, especialmente para um segmento que pode aumentar os custos de energia para a população. Os data centers exigem grande volume de eletricidade para alimentar os servidores e, ao mesmo tempo, precisam de avançados sistemas de refrigeração potentes o suficiente para evitar o superaquecimento dos equipamentos. Essa etapa é responsável por grande parte do uso de água em regiões com falta de água, o que pressiona governos e empresas a buscar soluções mais eficientes. As companhias americanas têm investido em contratos de fornecimento de energia renovável e em tecnologias de resfriamento menos intensivas, com estudos para utilização de pequenos reatores nucleares, conhecidos como SMRs, capazes de fornecer energia limpa e estável para grandes complexos de dados, ou com o uso direto de usinas nucleares em grande escala, que estão sendo reativados nos EUA.
A corrida por novos investimentos também transformou os estados dos EUA em competidores diretos: o Texas se destaca por oferecer energia barata e por não cobrar elevados impostos estaduais para o setor; o Arizona e o Novo México têm atraído projetos pela oferta de terrenos acessíveis e clima estável; enquanto Ohio ganha força como um novo polo tecnológico americano, com investimentos de empresas como Meta e Google. Em resposta aos movimentos de ampliação de infraestrutura de dados, os governos estaduais criaram pacotes de incentivo e simplificaram processos de licenciamento com o objetivo de gerar empregos e movimentar economias locais. O governo federal também incluiu o desenvolvimento de infraestrutura digital como prioridade nacional, com apoio financeiro e destinação de áreas específicas para novas construções. Além disso, o governo dos EUA apoia o projeto da OpenAI para a construção de data centers em larga escala, o que deve gerar uma demanda ainda maior por eletricidade nos próximos anos.
O principal exemplo da escala atual do setor é justamente o projeto “Stargate”, desenvolvido pela OpenAI em parceria com a Oracle e o SoftBank. O plano prevê a destinação investimentos de até US$ 500 bilhões para criar uma rede de data centers com 10 gigawatts de capacidade até o final de 2025. As novas unidades serão construídas em estados como Texas, Novo México e Ohio, além da ampliação do complexo existente em Abilene, no Texas. O projeto deve gerar mais de vinte e cinco mil empregos diretos e movimentar uma extensa cadeia de fornecedores, como a NVIDIA. A Oracle já iniciou a entrega de servidores equipados com chips de última geração, enquanto a NVIDIA investiu US$100 bilhões adicionais no fornecimento de processadores voltados a sistemas de IA.
O mercado de data centers dos EUA foi avaliado em pouco mais de cinquenta bilhões de dólares em 2022 e deve crescer, em média, dez por cento ao ano até o fim da década. As projeções indicam que o setor poderá alcançar mais de US$ 150 bilhões até 2033, com o segmento de hardware representando a maior parte dos investimentos devido à necessidade constante de atualização de servidores, processadores e sistemas de armazenamento. Essa modernização é essencial para sustentar o aumento de volume de dados e o uso de IA em aplicações corporativas e científicas, por exemplo. Mesmo com o otimismo do mercado aos atuais projetos, o aumento no consumo de energia pode pressionar cada vez mais as redes elétricas locais, e a escassez de água exige soluções de resfriamento mais eficientes e, incialmente, mais custosas. Há ainda a necessidade de equilibrar o desenvolvimento da infraestrutura de data centers com a segurança cibernética em um ambiente cada vez mais interligado.
Em suma, o país criou a principal base tecnológica que sustenta a internet global e agora acelera a construção da infraestrutura necessária para a era da IA e, futuramente, para outras tecnologias como computação quântica. A forma como essa expansão será conduzida definirá o papel dos EUA no futuro digital, sendo o principal polo tecnológico do mundo.
Disclaimer
Este material é apenas informativo e não constitui recomendação, oferta ou sugestão de investimentos pela Dolarame. Os dados são obtidos de fontes consideradas confiáveis e públicas, mas sem garantia de precisão ou atualização recente das informações.


