A Blackstone é a maior gestora de ativos alternativos do mundo, com mais de US$ 1,3 trilhão sob gestão e presença em diversos mercados, como private equity, crédito privado, imóveis e infraestrutura. Fundada há quatro décadas nos EUA, a companhia passou a figurar entre as instituições financeiras mais relevantes do mercado global, atendendo desde grandes fundos de pensão até investidores individuais.
História
Fundada em 1985 em Nova York por Peter G. Peterson e Stephen A. Schwarzman, a Blackstone surgiu como uma empresa especializada em fusões e aquisições (M&A). Os dois sócios tinham trabalhado juntos no Lehman Brothers antes de abrir o próprio negócio. Em 2007, a companhia deu um passo que alterou a estrutura do setor ao abrir seu capital em uma oferta pública inicial que captou US$ 4 bilhões, figurando entre as primeiras grandes gestoras de private equity (investimento direto em participações de empresas) a listar ações em bolsa.
Modelo de negócio
A Blackstone divide suas operações em quatro segmentos que funcionam fora dos mercados públicos tradicionais. O private equity reúne o histórico mais antigo da gestora, com aquisições alavancadas em que parte relevante do capital de compra vem de financiamento externo. A divisão imobiliária compra e administra propriedades comerciais ao redor do mundo, e o crédito privado financia companhias que buscam recursos fora dos canais convencionais do mercado de capitais. O segmento de infraestrutura e crescimento direciona capital para setores que demandam horizonte de investimento de longo prazo.
Entre as empresas que já passaram pelo portfólio da Blackstone estão a Hilton Worldwide, rede hoteleira global, e a Merlin Entertainments, grupo britânico de atrações turísticas. A gestora também alocou capital na Travelport, plataforma de distribuição de viagens, na Freescale Semiconductor, fabricante de semicondutores, e na Vivint, empresa de segurança residencial nos EUA.
Presença global da Blackstone
A gestora atende fundos de pensão, seguradoras, fundações, family offices e investidores individuais que chegam aos seus produtos por meio de assessores financeiros. A sede global fica em Manhattan, com escritórios em Londres, Paris, Tóquio, Hong Kong, Cingapura, Sydney, Dubai e outros centros financeiros. Stephen Schwarzman segue como presidente do conselho e diretor executivo, enquanto Jonathan Gray ocupa a presidência executiva e a liderança de operações.
A empresa hoje
Com 40 anos de operação, a Blackstone encerrou o primeiro trimestre de 2026 com mais de 10 mil ativos imobiliários e mais de 200 empresas no portfólio direto, consolidando sua liderança nos quatro segmentos que compõem sua plataforma de investimentos.
O crédito privado sob pressão
Em junho de 2026, a Blackstone restringiu os saques do BCRED (Blackstone Private Credit Fund), fundo de crédito privado voltado a investidores qualificados com US$ 79 bilhões sob gestão. Os pedidos de resgate chegaram a 10% das cotas no segundo trimestre, acima do limite operacional de 5% mantido pela gestora. No trimestre anterior, as solicitações tinham atingido 7,9% do fundo, equivalentes a cerca de US$ 3,8 bilhões. A Blackstone honrou integralmente esses pedidos usando capital próprio para cobrir o excedente, mas o fundo registrou saída líquida de capital no período.
O caso atraiu atenção porque a Blackstone foi uma das primeiras grandes gestoras a divulgar dados de resgate do segundo trimestre, num momento em que pressões similares ganhavam força no setor. A gestora suíça Partners Group anunciou restrições em um veículo europeu de private equity e alertou que o movimento de saques avançava do crédito privado para o private equity. Daniel Ivascyn, diretor de investimentos da PIMCO, sinalizou que o setor poderia estar atravessando o primeiro ciclo prolongado de inadimplência e perdas em muitos anos.
Este material tem caráter informativo. Nenhuma parte do conteúdo deve ser interpretada como recomendação de investimento.


