A Cboe Global Markets pertence a uma categoria de empresa pouco visível para o investidor comum. As operadoras de bolsas mantêm o ambiente onde compradores e vendedores se encontram e cobram pelo uso dessa estrutura, sem tomar posição própria nos ativos negociados. Nos Estados Unidos (EUA), a companhia controla a maior bolsa de opções do país, com 30% de participação, e a terceira maior bolsa de ações, com 10%. Na Europa, opera a maior bolsa de ações do continente, com uma fatia de 25%.
História
A história da empresa começou em 1969, quando Edmund O’Connor, vice-presidente da Chicago Board of Trade, propôs um mercado de opções com câmara de compensação própria. A estrutura garantiria as operações sem exigir que as duas pontas negociassem termos individualmente, mas a ideia encontrou resistência entre os reguladores da Securities and Exchange Commission (SEC) e apenas foi aprovada em outubro de 1971.
A empresa nasceu com o nome de Chicago Board Options Exchange, foi constituída em fevereiro de 1972 e começou a negociar em 26 de abril de 1973, em uma antiga sala do prédio da bolsa que a criou. No primeiro mês completo de funcionamento, foram registrados 34.599 contratos. Em 1976, esse volume mensal chegou a 1,5 milhão.
O marco seguinte ocorreu em 19 de janeiro de 1993, com o lançamento do índice de volatilidade elaborado por Robert E. Whaley, professor da Vanderbilt University. Conhecido como VIX, o indicador mede a volatilidade implícita esperada para os trinta dias seguintes e passou a ter o S&P 500 como referência em 2003. No ano seguinte, a companhia passou a listar contratos futuros sobre esse índice.
A abertura de capital ocorreu em junho de 2010. Sete anos depois, a compra da BATS Global Markets por aproximadamente US$ 3,2 bilhões incorporou uma operadora com bolsas de ações nos EUA e na Europa, e o nome mudou para Cboe Global Markets em outubro de 2017. Em agosto de 2018, a empresa deixou a Nasdaq e passou a listar as próprias ações na Cboe BZX Exchange, uma plataforma que ela mesma controla.
Modelo de negócio
A receita de 2025 se dividiu em cinco linhas de negócio, e as opções sobre índices e ações individuais responderam pela maior delas, com 52%. As ações norte-americanas negociadas nas plataformas BZX, BYX, EDGX e EDGA aparecem em seguida, com 35%. As operações na Europa e na Ásia-Pacífico somaram 8%, os futuros de VIX contribuíram com 3% e o câmbio com 2%.
A diferença em relação às concorrentes está nos produtos proprietários, e a comparação entre ações e derivativos mostra o motivo. Uma ação listada pode ser negociada em dezenas de locais que disputam a mesma ordem, enquanto as opções sobre o S&P 500 e os derivativos de VIX pertencem à casa. O calendário desses contratos foi ampliado ao longo do tempo, com vencimentos que passaram de trimestrais a mensais, depois semanais em 2005 e diários em 2023, e os contratos de mesmo dia representam hoje parcela relevante do volume negociado.
A cobrança de uma taxa sobre cada contrato ou lote de ações negociado nas plataformas responde pela maior parte do que a empresa arrecada. As companhias com ações listadas pagam tarifas pela permanência, e os dados gerados nas negociações, como preços e volumes em tempo real, são vendidos a corretoras, gestoras e provedores de informação financeira.
A soma de tudo isso levou a receita a US$ 4,71 bilhões em 2025, com lucro operacional de US$ 1,47 bilhão e lucro líquido de US$ 1,10 bilhão, em uma operação que encerrou o ano com mais de 1.600 funcionários. O desempenho coincidiu com o encerramento das operações no Japão em agosto daquele ano e, em abril de 2026, com a venda das atividades de ações no Canadá e na Austrália para o TMX Group por US$ 300 milhões.
Este material tem caráter informativo e apresenta a companhia e o setor em que ela atua. Nenhuma parte do conteúdo deve ser interpretada como recomendação de investimento.


